REPORTAGENS DOS EVENTOS DA ACADEMIA
DE BACALHAU DO PORTO
Novembro 2008:
O jantar-tertúlia da Academia de Bacalhau do
Porto do penúltimo mês do ano teve algumas particularidades: reuniu 108
convidados e compadres/comadres, por uma razão especial – a palestra do eminente
médico Luís Ferraz (director do Serviço de Urologia do Centro Hospitalar de V.N.
de Gaia), sobre o cancro na próstata.
O compadre presidente César de Pina congratulou-se com ambos os factos, que
considerou suficientes para se comemorar e abrir o jantar com o típico “Gavião
de Penacho”, para além do facto de ao longo de 2008 se terem obtido cerca de mil
e duzentas presenças nos jantares/almoços da Academia. Agradeceu também às
delegações que vieram de Aveiro e de Coimbra. Destacou também a presença dos
adolescentes Iris Mendes (12 anos, filha do compadre Adelino e da comadre
Teresa) e João Costa (15 anos), vice-campeões mundiais de Ginástica Acrobática,
consagrados no último campeonato do mundo (Glasgow – Escócia, Out. 2008).
Tratam-se dos World Games, que equivalem aos Jogos Olímpicos dos Jogos não
Olímpicos (como é o caso da Acrobática). Ambos representam o ‘Acro Clube da
Maia’. Por este feito, a Academia de Bacalhau do Porto não ficou indiferente,
entregando uma Medalha da Instituição aos laureados.
De seguida, César de Pina entregou os três prémios aos vencedores do já
tradicional ‘Torneio da Sueca’, realizado em Setembro deste ano, como habitual
na acolhedora residência do compadre presidente. O vencedor foi o compadre
Hermínio Pinto, de 86 anos, tendo estado já no pódio dos melhores na edição
2007.
O compadre Manuel Marques, de Aveiro, ofereceu um bacalhau da Noruega à Academia
do Porto, com mais de 5kg, para ser sorteado nas rifas. Também houve uma garrafa
de whisky à sorte dos participantes. A receita obtida reverteu para um Natal
solidário para com os mais necessitados, como já tem sido apanágio na missão
desta IPSS. O bacalhau saiu ao compadre Trindade, enquanto o whisky destinou-se
ao compadre Costa, que o devolveu/ofereceu de novo à Academia, para um novo e
futuro sorteio.
O homem, a próstata e os seus problemas, por Luís Ferraz
Eis que chegou então o momento tão esperado por todos os presentes, a tertúlia
do médico Luís Ferraz, sobre o tema “O homem, a próstata e os seus problemas”.
Primeiramente, situou que esta é uma área exclusiva da urologia e que as doenças
prostáticas – sendo a próstata uma glândula exócrina do aparelho reprodutor
masculino – estão consideradas como “doenças da moda”:
- a esperança de vida está a aumentar;
- as doenças são manifestações de envelhecimento;
- hoje vive-se mais, mas quer viver-se melhor;
- mais e melhores acessos a cuidados médicos;
- maior divulgação na Comunicação Social.
A questão da localização é um feudo dos urologistas, pois a próstata está muito
escondida, abaixo da bexiga, porém as doenças que provoca são sabidas:
prostatite; hiperclasia benigna da próstata (temor benigno que se inicia na zona
central) e carcinoma da próstata (tumor maligno que se inicia na zona
periférica). Luís Ferraz esclareceu os presentes que a hiperclasia é a patologia
mais frequente; comum nos homens a partir dos 50 anos; sendo uma doença crónica,
progressiva e de alta prevalência; que afecta a vida do cônjugue e que provoca
dificuldades miccionais progressivas. Os sintomas são: armazenamento –
irritação, imperiosidade miccional, polaquimia, noctúria e incontinência. Quanto
ao carcinoma é, de facto, a segunda ou terceira causa de morte nos homens,
derivado ao canco na próstata. Há questão “como prevenir?” a resposta assusta:
não há prevenção! No entanto, há indícios de que o consumo diário de tomate, por
exemplo, parece dar protecção; bem como outros hábitos: efeito protector do
exercício físico (cerca de 3 horas semanais), efeitos benéficos da luz solar, um
copo de vinho tinto às refeições. De evitar, salientou o consumo das gorduras
(já que é factor de risco) e a obesidade (IMC), devido ao fast-food (pois
aumenta o risco de cancro). E rematou “não se podendo prevenir é muito
importante que se faça o diagnóstico precoce”.
Com base nesta afirmação Luís Ferraz apontou formas de como diagnosticar:
através da história clínica; exame físico – importante o toque rectal; estudo
analítico – interesse do PSA (marcador da patologia prostática); imageologia –
interesse da ecografia; e biópsia-diagnóstico de certeza pelo urologista. Deste
modo também ressalvou que importa nunca medicar sem diagnóstico prévio (por ex.:
como ida ao herbanário), sem ir apenas pelos sintomas e tendo em conta que há
“patologias diferentes com sintomas iguais”.
Ainda antes de terminar a sua exposição dedicou um tempo à abordagem dos
Tratamentos. Quanto ao da HBP, indicou: A) os sintomas ligeiros e de vigilância
(reduzir à cafeína, picantes, bebidas alcoólicas, viagens longas, cuidado com
medicações); e B) os sintomas moderados, que necessitam de tratamento médico.
Relativamente a este, há a filoterapia, os alfabloqueantes (vão fazer alargar o
canal que estava apertado, para melhor micção), os inibidores (reduzem o risco
de RUA e cirurgia prostática) e os doentes para operar (por retenção urinária
persistente, infecções urinárias de repetição, hemtúrias persistentes ou
recorrentes, litíase vesical e divertículos). No que toca ao tratamento
cirúrgico da HBP, tanto há a cirurgia endoscópica, como há a aberta. Nenhuma
provoca disfunção eréctil, mas todas provocam ejaculação retrógada e, muito
raramente, pequenas perdas de urina. E ainda respeitante aos tratamentos, pode
ser feito o do carcinoma da próstata: A) curativo – prostatectomia radical
(permite localizar exactamente onde está o tumor), radioterapia e braquiterapia;
B) paliativo – supressão hormonal. As complicações sujeitas em ambas são a
disfunção eréctil e a incontinência.
Concluindo a sua palestra neste jantar-tertúlia bastante importante, pela
pertinência e objectividade do tema, Luís Ferraz deixou a todos os homens 5
mensagens finais de apoio e alerta, frisando e reforçando alguns dos aspectos
que já mencionara anteriormente:
“ – faça anualmente um PSA. Atenção se for > 4 ng/ml;
– se tem queixas miccionais, consulte o urologista;
– não compre nos herbanários, sem ter um diagnóstico prévio e certo da doença;
– não tome medicações dadas por amigos;
– e se lhe falarem em operar, ouça sempre uma segunda opinião”.
Após esta brilhante e esclarecedora intervenção, bastante sucinta e lúcida a
todos os presentes, abriu-se espaço para o diálogo entre perguntas e respostas,
com este médico director de Serviço do Centro Hospitalar de V.N.Gaia e com os
compadres/convidados. A participação e vontade de colocar dúvidas e solicitar
mais esclarecimentos foi enorme! Indo já a hora um pouco adiantada para o normal
dos jantares, chegou-se a um ponto que não puderam aceitar-se mais inscrições
para questões. Só demonstra o quanto positivo e enriquecedor foi esta noite, a
vários níveis. E com uma grande salva de palmas e um “Gavião de Penacho” todos
agradeceram e despediram-se de Luís Ferraz e dos membros da Academia, em si e
entre si.
ANDRÉ RUBIM RANGEL,
Director de Comunicação da Academia de Bacalhau do Porto
Voltar
|