Academia do bacahau do Porto

 

REPORTAGEM DO JANTAR-TERTÚLIA DA ACADEMIA DO BACALHAU DO PORTO

Aniversário da Academia

SETEMBRO 2008:

No dia 21 de Setembro, vários Compadres e convidados da Academia do Bacalhau do Porto reuniram-se na Quinta da Boucinha (V.N. de Gaia) para comemorar os seus dezanove anos de existência, facto que mereceu a atenção da Agência Lusa e de alguns órgãos de comunicação social e sítios de informação. Entre os convidados destacou-se a presença de todos os presidentes das Academias do Bacalhau de Portugal Continental, o Cônsul Honorífico de Portugal em Perth (Austrália) – José Augusto Madeira e o vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia – Marco António Costa, ambos acompanhados de suas esposas.

Marco António Costa sente-se honrado em ser novo Compadre

O almoço correu bastante bem, tendo o anfitrião da cerimónia, o compadre presidente César Gomes de Pina, acolhido todos os compadres, familiares de compadres e demais convidados com palavras entusiasmantes do que é a Academia, no mundo e concretamente no Porto, e quais alguns dos seus próximos projectos.

De realçar neste intróito mais cerimonial do encontro a distinção deliberada da Direcção da Academia de Bacalhau do Porto em nomear o vice-Presidente da Câmara de Gaia membro desta Academia, no seu primeiro contacto com a mesma. Ou seja, recebendo de imediato o diploma e as insígnias protocolares desta Instituição, passou de Dr. Marco António a Compadre Marco António. Foi recebido por todos os presentes com uma generosa e imensa ovação de júbilo em se associar aos valores da Academia. O próprio distinguido reforçou na suas palavras, em público, sentir-se deveras honrado e satisfeito com esta sua nova filiação e enalteceu a acção da Academia em estar atenta e próxima das pessoas mais necessidades e das Instituições que as apoiam. Salientou também, numa tríade de princípios, os três grandes valores que assentam na origem histórica e na vivência humanizante e social da Academia: “Amizade, Portugalidade e Solidariedade”! O Compadre Marco António dispôs-se a ajudar a Academia, na medida do seu tempo e das suas disponibilidades. “Bem-vindo e Bem-haja, caro Compadre Marco António”, é certamente a expressão de acolhimento e gratidão generalizada por todos os Compadres, na pessoa do Compadre presidente César de Pina, a quem se deveu este especial convite!

Compadres Durval Marques e César de Pina, eternos tunos e académicos!

Depois, a tarde – logo a seguir ao almoço do 19.º aniversário da Academia do Bacalhau do Porto – foi, ao mesmo tempo, animada e saudosista com fados de Coimbra bem interpretados pelo compadre aveirense Victor Silva (vencedor do concurso “Chuva de Estrelas”, com interpretações de Zeca Afonso). “O Porto e a Academia têm mais encanto na hora da despedida” foi cantado pelos compadres e comadres presentes naquela tarde de festa e de emoção.

Mas as actuações não pararam. Depois de Coimbra viajaram todos para o Porto ao assistirem à actuação da Tuna Feminina da Universidade Católica. “Jura” de Rui Veloso e outras canções académicas referentes à cidade do Porto fizeram a delícia dos presentes. Mas quem realmente ficou deliciado foi o compadre Durval Marques e o compadre presidente César Pina quando colocaram a capa preta e cantaram com as universitárias “Restolho”, tema que a tuna só canta em momentos especiais.

O almoço terminou mais uma vez em festa e em sorte. Sorte para o compadre Jorge Tavares, que é também o director da ala da Juventude da Academia, que comprou uma rifa e na rifa saiu-lhe uma viagem para duas pessoas ao Funchal.

Uma tarde de deleite e prazer entre os compadres e comadres que fez a história do 19.º aniversário da Academia do Bacalhau do Porto.

Academia do Porto: eventual ‘madrinha’ da de Perth…

De modo a percebermos a razão da presença do Cônsul José Madeira no Porto/Gaia (vindo propositadamente da Austrália, onde está desde 1965), apurámos que a sua ligação e da cidade australiana à Academia do Bacalhau já remonta a 1993, quando teve a vontade de abrir uma Academia, embora tal não tivesse sido possível nessa altura… “A minha ligação era com a Academia-Mãe, em Joanesburgo, com contactos frequentes, tendo eu proposto que se fizesse uma Academia em Perth”, frisou o Cônsul. Desde então, não perdendo a chama da esperança, levaram a proposta ao Congresso Mundial das Academias de 2007, no Funchal, sendo a mesma aprovada e decretada para abrir a Academia do Bacalhau de Perth em 2009. Explicou-nos ainda que, na sua área consular – 30x maior do que Portugal, com dois milhões e meio de km2 –, tem já bastantes membros que querem fazer parte da Academia.

Breve entrevista com Marco António Costa, vice-Presidente da C.M. de Gaia

1. Que considerações gerais tece à Academia do Bacalhau?

MAC – De facto, achei bastante interessante o nome da Academia, porque é um símbolo bem português, que traz incorporado o valor da amizade, da lealdade e do fiel amigo e, acima de tudo, também representa o espírito filantrópico desta instituição. Para mim foi uma agradável surpresa vir aqui celebrar este aniversário, porque encontrei muitos amigos que não imaginava encontrar, tanto compadres como outras pessoas com quem já me tinha encontrado noutras circunstâncias. É um momento agradável e cordial, do ponto de vista social. Foi um convite que aceitei e que raramente aceito ao Domingo para não quebrar os meus almoços em família. Abri uma excepção pela simpatia de César de Pina e por saber do convívio com amigos que iria encontrar.

2. Normalmente, os encontros mensais da Academia dão-se nos jantares-tertúlias, às sextas-feiras à noite. Acha que esta vinda aqui pode ser trampolim e ponte para outras vindas e até se poder tornar compadre? Pondera isso?

MAC – Eu estou sempre disponível a este tipo de acontecimentos. Provavelmente sim. Costumo dizer que o grande desafio para mim e que raramente incumpro é o de ter uma refeição semanal para a minha família, particularmente nesta fase em que, até fins de Dezembro, tenho agendadas setenta e tal actividades partidárias e outras já em 2009. Se somar a isto os compromissos que tenho em Lisboa com o programa à noite da RTP; o facto de às quartas-feiras ter, por estabelecido, um jantar institucional, ou seja, com um membro do Governo, ou com um presidente duma empresa ou com alguém que tenha responsabilidades nacionais e institucionais, para tentar desbloquear problemas que se prendam com o município de Gaia. Portanto, com outras actividades que também tenho começa a ficar muito curto o meu tempo. Porém, é com muita satisfação que colaboro com todas as associações e movimentos que têm este espírito filantropo e que reúne um conjunto de pessoas que se congrega pelos princípios do bem-estar e da fraternidade intra e extra relacional.

3. E a Academia tem ajudado bastante a comunidade gaiense, tanto os jovens como os mais idosos, com computadores, cadeiras de rodas…

MAC – Eu acho que é precisamente essa filantropia que é preciso sublinhar e que é desconhecida. Nós temos sempre como ponto de referência dessa filantropia os Rotários e os Lyons, e é bom que se saiba que se existe mais uma organização que de forma descomprometida e benévola permanentemente procura ajudar a comunidade dessa forma tão positiva e tão construtiva.

4. Apesar de então não poder estar mais vezes fisicamente, poderá esta Academia do Porto beneficiar de apoios e subsídios da Câmara? Assim acontece na Costa do Estoril, em Oeiras e em Sintra, em que os edis municipais são compadres e costumam oferecer um grande almoço anual para os seus compadres, embora estes o paguem para reverter esse dinheiro integralmente para a respectiva Academia e respectiva acção solidária. Poderá ser este momento, consigo aqui, um abrir de portas para esse efeito?

MAC – Nós por norma estamos sempre disponíveis a colaborar em todas as circunstâncias com movimentos com este tipo de enquadramento. Concretamente as regras do poder público exigem que haja uma grande objectividade na atribuição desse tipo de apoios, com questões específicas, excepcionais, que justifiquem sob o ponto de vista social e que resultem sob o ponto de vista final em benefício da comunidade. Assim o município estará disponível. Nós não somos avarentos nem, como diz a gíria popular, completamente “poupadinhos” em tudo aquilo que fazemos; mas procuramos que cada euro que doamos tenha uma repercussão positiva na sua aplicação e essa repercussão pode ser directa e ou indirecta. Dentro desta lógica estamos sempre ao dispor para ajudar as acções. Fará mais sentido neste apoio às instituições congregar o esforço do município com o esforço da Academia possa fazer para essa instituição. Nessa conjugação o apoio será melhor e mais significativo.

5. Além do mais, esta é uma Academia que embora se intitule e seja do Porto, reúne-se e faz encontro habitual em Gaia. Extravasando isto tem um carácter mundial e já foi, inclusive, distinguida pelo Governo. E tantos são os que não o sabem…

MAC – Eu julgo que o problema dos limites geográficos é hoje algo que se esbate com grande intensidade, particularmente no que diz respeito a Porto e Gaia. Efectivamente, Gaia, que durante muitos anos não foi pólo de centralidade nem de actividades muito significativas de dimensão nacional e pública, é actualmente uma cidade com essa potencialidade que vamos partilhando e dividindo na relação com o Porto.

André Rubim Rangel e Marisa Pinho,

director e assessora de Comunicação

da Academia de Bacalhau do Porto.

Voltar