Mensagem do Presidente Honorário das
Academias do Bacalhau

O Presidente da Academia do Bacalhau do Porto, Compadre César Gomes de Pina,
solicitou-me umas palavras para o “site” da sua Academia na Internet,
ao que
acedi com muito gosto, pois falar deste movimento, que tive o grato prazer de
fundar com outros três amigos, representa para mim uma honra e até mesmo um
privilégio.
Foi há 40 anos que nasceu em Joanesburgo, mais exactamente no dia 10 de Junho de 1968,
este nosso movimento, que assentando nos valores da amizade e
solidariedade, se universalizou pelos quatro cantos do mundo, com mais de 50
Academias do Bacalhau implantadas em África, na Europa e nas Américas.
É importante referir que, ao longo destas quatro décadas todas as Academias são
regidas pelos mesmos princípios e objectivos que nortearam a fundação da
primeira a qual hoje designamos de Academia-Mãe, em Joanesburgo, devendo todas
elas seguir as
Normas instituídas e que vão passando de Academia para Academia em redor da
fidelidade a valores tradicionais e culturais portugueses, e por estas razões se
pretende sejam iguais e respeitadas por todas as Academias no mundo.
Acontece, porém, que algumas Academias criaram uns Estatutos, que pouco ou nada
têm a ver com as Normas com que nos regulamos e noutros casos alteraram até ou
mesmo ignoraram alguns artigos das mesmas, sem que nunca fossem submetidas ao
Congresso Mundial, único órgão com autoridade para as considerar, analisar e, no
caso de serem aprovadas passarem também a ser seguidas por todas as Academias.
Em relação a essas Academias, apelo e solicito que ajustem as referidas
alterações, às nossas Normas, ou então, as submetam a Congresso, desde que as
mesmas traduzam melhorias significativas, por forma a que possamos ampliar e
atingir cada vez com mais intensidade, os nossos nobres princípios de
solidariedade e bem-fazer.
Julgo também oportuno deixar aqui uma vez mais, uma palavra de incentivo para os mais
jovens, a quem peço para se juntarem às nossas Academias, já que serão eles, e
apenas eles, quem poderão garantir a continuidade deste nosso movimento, pelo que
as Academias serão no futuro, o que nós, os mais velhos e os menos velhos
fizerem e, fundamentalmente o que os mais novos quiserem
Quanto à Academia do Bacalhau do Porto, oferece-me dizer o seguinte:
Vim de Joanesburgo para o Porto em Janeiro de 2005 e desde então tenho assistido
a quase todos os Jantares-Tertúlias desta Academia e como tal,
testemunhado a evidente transformação nela operada nos últimos anos, não só pelo
aumento extraordinário de presentes nestes convívios, que normalmente congregam
mais de uma centena de Compadres, mas também pela qualidade dos mesmos, ao
convidarem-se personalidades de prestigio nacional e até internacional, para
apresentarem palestras de muito interesse para todos, bem como realizando
regularmente diversos eventos culturais, acções estas que tornam as suas
Tertúlias muito mais apelativas.
Embora todos os ex-Presidentes, Direcções e Compadres em geral, não devam ser
esquecidos por terem continuado e aguentado esta Academia, desde a sua fundação,
nomeadamente o Compadre fundador José Coutinho a quem presto a minha justa
homenagem e paro um momento para saudosamente o recordar, não posso deixar de
assinalar o trabalho notório realizado pelo Compadre Presidente César Gomes de
Pina e sua Direcção, que conseguiram com muito entusiasmo e motivação enriquecer
a Academia, da forma que acima referi, o que constitui um exemplo que poderá ser
seguido por outras Academias.
Embora o primeiro Presidente da Academia-Mãe, o saudoso Compadre José Ataíde, se
referisse ao facto de ter sido escolhido como Presidente com as seguintes
palavras: “ Na Academia somos todos iguais, pelo que somos todos presidentes,
mas como alguém tem de dirigir os Almoços-Jantares e tocar o badalo, é só nessa acepção que
me considero Presidente! “
Ainda que, estas palavras pronunciadas há 40 anos, pudessem merecer-nos alguma
reflexão, sabemos hoje que,
“ o tocar do badalo pode também alterar consideravelmente a vida e o sucesso das
Academias, como prova o que actualmente acontece na Academia do Bacalhau do
Porto, o que não posso aqui deixar de realçar e com o que muito me congratulo”
Parabéns e obrigado Compadre Presidente César Gomes de Pina e à sua Direcção.
Desejo-vos e à vossa Academia a continuação dos maiores êxitos, com
um abraço amigo e um “ Gavião de Penacho”,
Durval Marques
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